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O DIABO CAMINHA NA VARANDA E A VARANDA É A CARÊNCIA

Um caso hipotético para exemplificar
Mary é uma garota estadunidense de 14 anos de idade. Ela é filha de um habilidoso diplomata americano que passa parte de sua vida nos ares em viagens de trabalho. Mary tem uma mãe dedicada que exerce a psiquiatria no seu próprio consultório. Como filha única recebe todo cuidado e atenção que seus pais lhe podem dar. Porém, há algo que a incomoda há alguns anos: seu pai pôde participar somente de uma de suas festas de aniversário e não esteve presente na sua primeira formatura. Ela desde cedo observava a presença dos pais de seus amiguinhos em suas realizações e gradativamente sofria com a ausência do pai.
Há 3 meses, Mary começou namorar com Joe, um jogador do time de basebol que desde que se conhecem, sempre  se pôs ao seu lado nos melhores momentos de sua vida. Seu aniversário de 15 anos agora se aproxima e seu pai está numa missão no oriente médio. Ela tem discutido muito com ele por telefone e sua mãe não está mais conseguindo contornar a situação. Os hormônios de Mary estão à flor da pele, sem falar os de Joe. Cada dia que passa sua inquietação interior se agita como um mar revolto.
A mãe de Mary já percebeu a diferença de comportamento de sua filha em poucos meses e, temendo que ela se envolva com drogas em festinhas de amigos, lança mão de seus conceitos pós-modernos na criação de filhos e sugere a filha que convide o Joe para dormir em casa no final de semana. Isso é tudo o que Mary deseja a essa altura. Até à noite de sábado sua mente fantasia – uma torrente de pensamentos “inusitados” passa pela sua cabeça.
Enfim, festa de 15 anos. Lá estão todos festejando! Mary está maquiada, mas não pode esconder totalmente sua tristeza profunda. Seu pai está constrangido; sua mãe tenta acomodar todo mundo. Mary está a andar de um lado para outro; toma o celular sem conseguir esconder a preocupação e liga várias vezes para o Joe, mas ninguém atende. Nervosa, Mary atira o celular contra a parede de seu quarto e desce rapidamente para o saguão. Surge então uma ideia: ligar para sua colega com quem ela sempre desabafa nas horas de muita tristeza. Mary toma o celular de sua tia, recorre à lista telefônica dos colegas e disca com expectativa. Quando do outro lado vem o “Alô, quem fala?”, ela reconhece a voz do Joe. Antes que saia qualquer palavra Mary reprograma sua conversa. Ouve ao fundo uma pândega de garotos e garotas. Decepcionada, desliga seu celular e corre de volta para seu quarto.
Mary, uma garota que tinha tudo(ou melhor, quase tudo), passa agora as próximas duas semanas deprimida tentando esconder uma gravidez. Mil pensamentos mortais passam pela sua mente. Culpa, medo e ódio, sãos os novos habitantes no coração daquela meiga jovem de quem todos esperavam um futuro promissor. Em razão dessa prostração psicológica, ela é levada para fazer alguns exames médicos. Mary agora é soropositiva e uma nova luta começa.

Um princípio universal
Creio ser esta uma verdade universal: o lugar predileto da atuação demoníaca é a carência humana. Qualquer lugar ou condição humana que viermos a conhecer durante nossa trajetória de vida mostrará seus pontos de carência afetiva, física, moral ou espiritual e ao analisar essa carência descobriremos o ponto em que o maior oportunista da maldade começou seu trabalho sujo. Daí, a importância desse assunto.
Toda criação está sob o estigma da carência, pois “todos pecaram e carecem da glória de Deus”(Rm. 3.23). Não há uma pessoa sequer que nasça sem tal estigma já que todos pecaram. O pecado é a raiz de toda carência humana, não fosse ele não haveria falta alguma em nossa alma. Seríamos completos e plenos, mas fomos rebaixados como um time desqualificado. Estamos num mundo que não produz mais humanos perfeitos, mas gente carente.
Esta carência universal não quer dizer que está faltando no mundo alguma coisa que Deus não tenha criado para o bem do homem ou que o próprio Deus se alienou por completo da sua criação, mas que nos tornamos incapazes de desfrutar da vida de Deus e das coisas de Deus. Estamos separados de sua vontade.

Um termo contundente
Por essa razão uso o termo “carência” que significa estar privado de alguma coisa. Não é a necessidade de algo que não existe, mas a privação de algo que existe.
Poderia ter intitulado também assim: A miséria é a varanda do diabo. Mas não seria correto, pois a miséria e a destruição são as câmaras do diabo. Ele se põe na varanda à porta procurando entrar. Uma vez na sala de estar ele procura os quartos mais reservados para iniciar sua miséria e destruição da casa inteira.
Carência é atualmente um termo tão usado que parece ganhar o senso de coisa normal. É nesse ponto que quero chamar atenção para a seriedade dessas coisas “normais”. “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor(está na varanda), como leão que ruge procurando alguém para devorar”(1 Pedro 5:8).
Infelizmente muitos já descuidaram desde bem cedo e agora precisam de um dedetizador especializado, pois a casa já está para ruir.

Cuidando da varanda
Devemos prestar atenção em cada ponto de carência de nossas vidas. Devemos olhar primeiramente para nosso interior e honestamente julgar se estamos cheios da presença gloriosa do Espírito ou não, se as “fontes de águas vivas” estão jorrando de dentro de nós ou se estamos ressequidos.
Devemos observar ainda se nosso caráter é firme ou está sendo abalado facilmente pelas tempestades deste mundo. Devemos inquirir se nossas emoções estão sendo acalmadas com a doce voz do nosso Senhor Jesus. Devemos olhar para nossa família, ver o que carece nosso cônjuge, nossos filhos, nossa gente e procurar supri-los à proporção do que Deus nos deu.
Eis uma grande tarefa! Mas não é só isso.

A suficiência de Cristo
Acima de tudo devemos manifestar ao mundo o Evangelho de Cristo que é o “poder de Deus para salvar todo aquele que crê”(Rm. 1.16). Jesus é o que enche o interior, a “Porta” de salvação, o “Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas” e Aquele que garante que “ninguém as arrebata de suas mãos”(Jo. 10.1-10).
Jesus é aquele que transforma carência em crescimento, que manifesta toda sua glória até nas necessidades daquele que O ama.
Jesus é o “mais valente” que, vence o “valente(diabo), tira-lhe a armadura em que confiava e lhe divide os despojos”(Lucas 11:22). Que faz morada no coração do antes estava perdido, restaura, enche de graça, luz, justiça e paz, e quando o “valente” começa andar na varanda, Ele, Jesus, toma a frente e vai à porta expulsá-lo.

Em Cristo,

Ilton
Morada Nova de Minas
1 de novembro de 2010

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